BUBUHA

Bubuha fica longe, no sub distrito de Baguia. Quando chove fica isolada e por isso construímos esta escola lá. 4 paredes com 3 divisórias. Chão em cimento, meias paredes, telhado em zinco. Em Bubuha há 6 mesinhas desconjuntadas para 60 crianças. Este senhor veio de lá até aqui pagando o seu próprio transporte – 3 horas de viagem pela montanha. Este senhor juntamente com outra senhora ensina 60 crianças e não é pago pelo Governo, nem pela Igreja. É professor voluntário. Um professor voluntário trabalha para a sua comunidade e é pago por ela. Raramente é pago em dinheiro e raramente é pago regularmente. Meio saco de arroz… um quarto de saco de arroz…
Em Bubuha existe um pedaço de um quadro preto do tempo Indonésio, onde o professor escreve. Com muita cerimónia e cuidado pergunta-me sobre a possibilidade de arranjar equipamento escolar. “Só mesas e cadeiras”- diz. “E se se pudesse ter sentina…” acrescenta. Os olhitos pequeninos continuam escondidos atrás dele. Eu trato-o por Sr. Professor no inicio e no fim de cada frase que digo. Digo-lhe que não me esqueci que me pediu um dicionário e remexo desesperadamente no conteúdo da minha estante e encontro uma gramática usada e o dicionário do Sr.José. Entrego-lhos. E falo-lhe de valores e estratégias de financiamento e ele dá a opinião e bebe o café dele e fala e eu digo "Ah sim Sr. Professor, não sabia Sr. Professor" e os olhitos pequeninos começam a aparecer. Já não se vê apenas um. Já se vêem os dois. E uma mãozita surge do nada e apoia-se no ombro do pai e olha-me directamente. E o narizito levanta-se no ar e as costas endireitam-se. E todo o corpinho parece dizer "sim, sim este que te está a ensinar coisas é o MEU pai". E terminamos a conversa e eu agradeço-lhe da mesma forma com que ele me abordou no inicio - com muita cerimonia e cuidado. E ele parte sem promessas, mas pela mão leva um menino vaidoso vaidoso do seu pai. E não ha nada mais fantástico do que olharmos para o pai de camisa triste, e senti-lo grande grande...
2 Comments:
... e eu estou muito, muito vaidosa da minha amiga - não deixes nunca de ser assim tão especial! Obrigada por partilhares este texto tão lindo.
Céu
e gente axim grande faz-nos xentir ainda mais pikininos...
espero k o sr Profexor tenha tido akilo k pediu...gostei do teu blogue, faz-m bem ler estes exemplos d humanidade, é inspirador!
bjokas
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